7 Jan 2017

Flerte, paciência e um coração partido

Lá nós primeiros meses de 2016 escrevi um pouco sobre minhas primeiras incursões no Tinder (e demais aplicativos de relacionamento) e o quanto os homens me deixavam confusa. Oito meses depois quero compartilhar com vocês que... nada mudou. Quer dizer, eu peguei a manha do flerte nestes tempos atuais, pelo menos do meu jeitinho. Então tem chuva de indireta quando eu quero, sim, e surra de like sempre que possível. Minha terapeuta costuma dizer que nunca viu alguém se dar tão bem com o Tinder e eu respondo que o segredo é não criar expectativas (crie unicórnios mas não crie expectativas), mas o que ela não sabe é que entre uma sessão e outra há tempo bastante de se desencantar, sofrer um pouquinho e arrumar um novo paquera, então muitas vezes ela só pega as partes boas. Minhas amigas morrem de rir e já desistiram de acompanhar: o número de primeiros encontros promissores é razoável, há alguns segundos encontros divertidos e meio que fica por aí. O que me incomoda um pouco é a maneira como fica por aí. As pessoas que até dois dias atrás passavam horas por dia conversando simplesmente se calam; as que não viam a hora de se encontrar de repente estão muito ocupadas; as que pareciam virar amigas têm medo que no fim das contas a outra pessoa se apaixone perdidamente por elas porque, oras, são irresistíveis (vai entender a lógica).

É preciso um exercício diário de paciência para ser solteira na segunda década do século XXI, e talvez parte disso seja por causa do Tinder e seus correlatos. Não que nas minhas baladas adolescentes a coisa fosse muito diferente, mas lá tudo acontecia de forma mais imediata: era a cantada ruim que me fazia revirar os olhos e dizer não; o beijo sem graça que resultava em um número de telefone errado. Com as conversas virtuais cria-se uma ideia de afinidade que parece ser abalada ao primeiro sinal de discordância. Será que a facilidade de conhecer pessoas não nos faz ir atrás de um par perfeito de acordo com uma lista pré-determinada de características? (Spoiler: isso não existe.)

De vez em quando eu lanço uma "Dica do Tinder" no Twitter. Algumas são críticas reais, mas na maioria das vezes é uma grande brincadeira. Se você gosta de usar sunga branca, migo, vai em frente! Eu, que sinto um pouco de repulsa quando vejo sua foto de sunga branca, faço o quê? Swipe left. Mas não, as pessoas insistem em usar o espaço de descrição pessoal para ditar regras, como se elas próprias fossem imunes à desaprovação. E eu preciso contar uma coisa: foto brega segurando a Torre de Pisa não define caráter de ninguém. Prefiro ter uma conversa agradável com o boyzinho que parece não ter muito a ver comigo do que aguentar punhetagem pseudointelectual do cara que até leu os mesmos livros que eu, mas se acha a última coca-cola do deserto (eu ia dizer as pregas do cu de Odete, mas este é um blog de família).

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Eu me diverti horrores com o Tinder em 2016, mas em uma semana 2017 já me rendeu três conversas absolutamente bizarras! Primeiro teve o cara que me chamou para ir ao apartamento dele depois de 2 minutos de conversas e perguntou se eu queria fazer amor com ele. Eu sou um partidão, obviamente, mas menos, tá? Aí veio o gaiato youtuber que achava que só ele poderia fazer piada. Migo, se não aguenta a brincadeira, não desce pro play. Não me pergunte o que eu estava fazendo conversando com um youtuber de quase 40 anos, por favor.

Manda nudes!


Finalmente apareceu o homem com quem eu tive a conversa mais estranha da história deste país. Curiosa por ter sido abordada com a frase "adoro feministas" (alerta vermelho, eu sei), perguntei o motivo dessa paixão. Então ele me disse que acreditava em direitos e deveres iguais, "quando possível". Curiosa novamente fiquei, um padrão começa a se formar, e acabei perguntando quando não era possível. Ele ofereceu um exemplo, teste de admissão no serviço militar, "ou você acha que mulher consegue fazer 10 barras?" Eu sei que esta mulher aqui não consegue nem se pendurar na barra e sei também que há diferenças biológicas óbvias entre homens e mulheres e apontei que era um caso que estava mais relacionado a essas diferenças do que a uma questão de direitos e deveres. Então ele falou do serviço militar obrigatório, do fato de não ser permitido que mulheres se tornem generais e me disse que não estava certo sobre a questão da aposentadoria, iria depender da minha fundamentação. Uma conversa muito louca e cheia de diversão que vai fazer você ficar grudado na telinha. Não, espera. Talvez a minha curiosidade um dia me mate como matou o gato, mas não aguentei e perguntei se ele era militar. Não era mais. Tudo ficou mais claro. Pena que depois disso ele ficou magoado porque eu critiquei todos os exemplos que ele me deu (mentira, na maior parte do tempo eu estava tentando entender o que ele dizia). Fez biquinho, disse que percebeu que não agradou e deu unmatch. Como alguém foi mais rápido que eu nisso? :D

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Eu quase me apaixonei uma duas vezes em 2016. Eu sou uma pessoa apaixonável mesmo, eu curto frio na barriga e umas coisas melosas. Consegui evitar nessas duas vezes, ufa. Aí eu fui pega desprevenida em uma daquelas situações arrebatadoras. As coisas se encaixavam de uma maneira absurda, era tudo tão certo que as pessoas se olhavam de maneira incrédula e radiante. Foi quase bonito, porque havia alguma coisa ali. Havia minha entrega. Eu poderia tê-lo amado. Foi uma das últimas coisas que eu disse quando me despedi (eu sinto necessidade de pontos finais onde há espaço para eles). O lado positivo de tudo ter acontecido tão rápido é que passou rápido. O tempo de uma paixãozinha. O lado negativo de ter acontecido at all é que reabriu uma ferida muito profunda. A coisa mais cruel que já me fizeram nesta vida foi me convencer de que eu sou uma pessoa muito difícil de amar e estar a meu lado é um fardo.
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21 Dec 2016

Eu, sommelier de cervejas

Há quatro meses eu estava com algum dinheiro no banco e sem perspectiva de emprego. Foi quando resolvi investir um pouquinho mais no meu hobby cervejeiro e me inscrevi no curso intensivo de Sommelier de Cervejas do Instituto da Cerveja Brasil (ICB). De lá para cá um monte de coisa aconteceu e até curso de tecnologia cervejeira eu fiz. Acabei chegando em São Paulo bem diferente de como achei que chegaria e isso impactou demais a forma como eu voltei de lá. Mas espera, estou colocando o carro na frente dos bois.

O curso de sommelier do ICB atendeu a minhas expectativas. Achei um curso bem completo, que me deu as ferramentas que preciso para me preparar para atuar como sommelier. Ao mesmo tempo me pergunto como teria me saído sem algum conhecimento prévio. O volume de informações é grande e o tempo para digerir tudo curto. Um curso intensivo, né? A experiência já me mostrou que quase sempre isso significa intenso. Por isso foi tão importante para mim ter encontrado pessoas maravilhosas para compartilhar aquelas duas semanas.


Engraçado é que nos primeiros dias tudo parecia muito tranquilo. Talvez porque nem tudo que eu estava vendo era novo (brigada, Randy Mosher), talvez porque só tive uma leve inflamação na garganta (brigada, São Paulo). Foram aulas sobre processos e escolas cervejeiras, sempre acompanhadas de degustações no final de cada turno, que nos ajudavam a ajustar a melhor maneira de descrever uma cerveja (jargões, todas as áreas têm os seus). Então veio a primeira prova teórica e as aulas de harmonização, atendimento, serviço, jantar harmonizado, carta de cervejas e parece que a ficha caiu "é isso tudo que precisamos fazer para trabalhar como sommelier de cervejas!". As coisas ficaram um pouco mais (in)tensas... mas eu já falei que minha turma era massa? Pois, parece que a gente tirou de letra.

Duas queridas que quero levar pra sempre desses dias.

No último dia do curso fizemos a segunda prova teórica, uma prova prática na qual precisávamos identificar, descrever e apontar quatro estilos de cervejas diferentes e uma apresentação de trabalho que consistia em montar uma carta de cervejas harmonizada para qualquer estabelecimento ou evento que desejássemos. O último dia do curso foi também o dia em que acordei podre de doente, mal conseguia respirar pelo nariz, quanto mais sentir aromas, então não vou comentar muito sobre a prova prática e meu desespero ao pegar a primeira cerveja e "não tô tentindo nada!" O que foi muito bacana e um baita aprendizado foi ver a apresentação de todos os grupos. Claro, perceber que eu era capaz de fazer algo que jamais me imaginei capaz (juntar uma comida com uma bebida, vê que incrível!) também foi incrível. A gente não para de aprender.

Ainda tenho muitas horas de copo pela frente para me tornar a profissional que desejo. Mas é isso, terminei as duas semanas de curso e voltei de São Paulo sabendo que eu quero mesmo trabalhar com cerveja. Isso não significa necessariamente mudar de área. Vejam só, estou cada vez mais convencida de que nasci para ser professora. Cenas do próximo capítulo? ;-)

Sim, visitei alguns bares bem bacanas em Sampa (uma das coisas que mais me encantou foi poder achar Dieu du Ciel! em cada esquina). Seguem as dicas:

Barcearia
Alameda dos Anapurus, 1469 - Moema
Pertinho do curso, único bar que fui mais de uma vez. As opções na garrafa são melhores do que nas torneiras. Preço honesto, food truck na porta.

Câmara Fria
R. Graúna, 137 - Moema
Bar novo, pequeno, mas muito aconchegante. Muitas torneiras da Wals e opções em garrafas. Comida boa e atendimento excelente.

Cervejatorium
R. das Rosas, 797 - Mirandópolis
O local estava passando por uma reforma, mas fomos super bem atendidos. Sommelier presente no local não é pra qualquer um. Apesar de terem algumas opções de petiscos, também havia um food truck na porta.

Cerveja Artesanal São Paulo
Rua Paracuê, 141 - Sumaré
A dona deste bar estava fazendo o curso também é na sexta-feira juntou muita gente lá. Todo mundo que trabalha no bar entende um bocado de cerveja e achei os preços bem razoáveis. Pra comer, adivinha? Food truck!

Ambar
R. Cunha Gago, 129 - Pinheiros
É o único do bairro dá modinha que vou colocar por aqui porque foi o único que eu gostei de verdade. O ambiente é agradável e o atendimento excelente. Deram conta de um monte de bêbados final de noite último dia de curso. E a comida é deliciosa também.

P.S.: o resultado final ainda não saiu, mas não já falei que todo mundo arrasou?
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26 Nov 2016

Se eu fosse dessas que se apaixona


Fidel Castro morreu, o revival de Gilmore Girls foi ao ar, descobri que amo leveduras, fiz a receita da minha segunda cerveja e estudei de verdade (do meu jeitinho) esta semana. Porém, nada disso importa, porque a única coisa que não sai da minha cabeça é que você foi embora sem dizer um tchau. E é tudo culpa minha, venhamos e convenhamos. Quantas vezes nos vimos? Posso contar nos dedos de uma mão, with fingers to spare. Talvez tenha sido isso. Eu sabia que haveria um fim e isso me deixou despreocupada o bastante para me entregar. Teve o seu sorriso também; aquele jeito de me olhar como se eu fosse uma pessoa realmente incrível; o carinho; o cuidado; a barba gostosa de pegar. As risadas, claro, porque eu jamais poderia me deixar levar por alguém tão sério. E a paixão, sem dúvida, porque eu não quero me conformar novamente. Eu poderia estar falando sério quando te pedi em casamento. Ah, se eu fosse dessas! Talvez eu até estivesse com o coração partido agora.
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31 Oct 2016

A cerveja cumprindo seu papel

Foi uma feliz coincidência o II Congresso da ACervA PE acontecer bem no meio de uma estada mais longuinha em Recife. Foi um bem-vindo banho de água fria nos planos arrumar um novo emprego e precisar encurtar minha viagem drasticamente. Foi uma parte chata não poder conhecer os lugares da cena cervejeira local nem matar propriamente a saudade da família, mas eu até começo a desconfiar que não é possível matar propriamente a saudade da família. O que sei é que foram quatro dias bem corridos, mas cheio de encontros e reencontros (e alguns desencontros), aprendizado e troca de experiências, antigos e novos amores. Então nada mais justo comigo mesma do que deixar a reclamação um pouco de lado.


Teve pequena feirinha de cervejas para trazer para casa? Mas é claro.

A primeira coisa que chamou minha atenção foi a organização do congresso de dois dias com nomes relevantes e temas bem interessantes. A presença de John Palmer só não foi melhor porque a ausência de um intérprete deixou as palestras dele um tanto cansativas (e eu reclamei muito no Twitter), mas reconheço a limitação orçamentária diante de um público pirangueiro feito o recifense. Cilene Saorin, de quem só conhecia a "fama", e Marcelo Barga, da Bio 4, foram gratas surpresas, além das discussões arretadas que as palestras de Adriano Bozo, da ACervA Potiguar e juiz BJCP, e André Cancegliero, da cervejaria Urbana, suscitaram. Entre detalhes técnicos de brassagem e o impacto da inclusão das cervejarias no Simples Nacional, muita coisa foi apresentada, debatida e aprendida, o que foi ótimo.

 
Num dia estou tietando, no outro falando da camisa festiva dele hihi

No terceiro dia de evento aconteceu a já tradicional Hoptoberfest que, apesar de ser mais antiga do que o congresso (este ano foi a quarta edição, se não me engano), funciona como seu encerramento em grande estilo. É uma bela oportunidade de confraternização e é também quando os vencedores do concurso são anunciados. Barris de cervejarias locais dividem harmoniosamente a atenção com produções caseiras, ao som de muito rock da melhor à pior qualidade (uma pessoa fez questão de enfatizar isso). Outra coisa muito massa foi o serviço de traslado disponibilizado para e do local da festa por 17 reais. Enfim, já amo demais a Hoptoberfest da ACervA PE. Mas também, como não amar uma festa na qual antes mesmo da primeira cerveja eu reencontro um amigo quem não via há mais de uma década? Com direito a abraço demorado que quando acaba a gente fala "não, volta, precisa abraçar mais". Ah, lembrando ainda da amiga que tá lá na Austrália e ainda arrumou tempo para promover encontros. Adoro.


Meninas lindas da Maria Bonita.

Ao final desses três dias, fiquei encantada com a receptividade de todos. Às meninas da Confraria Maria Bonita que pude conhecer, obrigada pelo carinho e acolhimento e parabéns pelo primeiro lugar da Brown. Foi lindo. Mereciam prêmio só pelo nome da cerveja, La Belle D'Jour Torcendo para que muito em breve possamos estreitar laços e promover umas parceria bacanas. À diretoria da ACervA PE, antes de mais nada, minha admiração. Tenho certeza que não foi fácil esticar o mandato por mais um ano para não deixar a associação morrer e vocês fizeram isso de verdade, não só cumprindo tabela até as próximas eleições. Saber que vocês têm à frente da ACervA gente que apóia e promove ações afirmativas para mulheres cervejeiras teve um grande peso na boa impressão que tive. Então a segunda torcida é para que neste fim de ano a associação consiga eleger pessoas com o mesmo nível de compromisso.

 
De um lado com Christopher, amigo da amiga que está na Austrália. Do outro com João, da Ekäut. Reparem que já era hora de caneca vazia. Devagar e sempre. :D

Parabéns a todos os envolvidos. Eu já falei por aqui que cerveja é alegria, é companheirismo, é dividir e compartilhar e que se você está encontrando outro tipo de coisa, está fazendo isso muito errado. Vou fazer o possível para incluir congresso e Hoptoberfest na minha agenda particular. O deslocamento de Brasília a Recife é considerado, mas qualquer motivo extra para voltar à terrinha é bem vindo, envolvendo cerveja, então, melhor ainda. E caso eu acabe tendo que voltar para Recife, já sei por onde começar a reencontrar meu lugar.
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25 Oct 2016

O machismo estruturado do meio cervejeiro candango

Do estatuto da ACervA Candanga:
Art. 2º – A Associação tem por finalidade difundir e aprimorar a zitologia e outros aspectos da cultura relacionados à cerveja, não só dentro do Distrito Federal, mas em âmbito nacional, promovendo encontros, palestras, cursos, concursos e degustações das mais variadas cervejas, muitas das quais produzidas pelos próprios associados desta associação, bem como a aquisição de cervejas nacionais e importadas, literatura, equipamentos e insumos relacionados à produção artesanal de cerveja, nacionais ou estrangeiros, possibilitando, ainda, o estreitamento dos laços de amizade entre os membros da associação e amigos desta.
Eu me envolvi com a ACervA Candanga há muito tempo, antes mesmo de me tornar associada. Não só estava presente para acompanhar festinhas, como trabalhei duro em algumas situações. Associei-me quando me dei conta que era uma bobagem esperar que eu realmente produzisse cerveja para isso. Não renovei minha associação no início do ano por questões pessoais, mas tão logo elas foram resolvidas eu fui lá e paguei novamente a anuidade. Tudo isso porque eu acreditava muito no trabalho da ACervA e queria, como mulher, ajudar a levar esse trabalho a outro patamar. Não é de hoje que eu falo sobre o machismo no mundo cervejeiro.

Antes de mais nada, reconheço e aplaudo o papel que a atual diretoria desempenhou em seu primeiro ano de mandato. Eles organizaram muita coisa, como página na internet, automação de pagamentos, além de realizarem o primeiro concurso e a festa de aniversário da associação, que já nasceu pronta para se tornar um clássico. O mais importante: eles deram conta de acompanhar a explosão da cerveja artesanal por todo país, particularmente aqui no Distrito Federal, e com isso a associação cresceu bastante. A partir daí começa o problema. Porque por terem desempenhado bem seu papel como diretoria da ACervA, parece que os diretores passaram a entender que são imunes a críticas. E quando eu falo diretores eu me refiro especialmente ao presidente da ACervA Candanga, porque os demais são extremamente omissos. O pior: diversos associados entraram nessa onda "veja o que fizeram, não devemos criticar nada" e se eu revirar mais um pouco os olhos para esse tipo de postura eu vou acabar enxergando meu cérebro.

Olha, eu não faço crítica infundada. Uma das coisas que fiz mais de uma vez nos últimos meses, inclusive, foi ler o estatuto da ACervA Candanga do começo ao fim. Qualquer pessoa que fizer isso vai saber o quanto a diretoria deixou de atuar, principalmente em seu segundo ano de mandato. A ausência de prestação de contas e a escolha deliberada de um associado amiguinho da galera para assumir status de diretor sem uma assembleia e votação apropriadas são a cereja do bolo. Como disse, em seu primeiro ano de mandato a atual diretoria teve o mérito de acompanhar o crescimento da cena cervejeira. Em seu segundo ano, ela escolheu deixar de lado a missão promotora da cultura cervejeira que a associação tem desde sua concepção para assumir a promoção de festas. O grupo de WhatsApp (oficial da ACervA Candanga, segundo fui informada), que deveria ser um espaço democrático para que os rumos da associação fossem discutidos, além de demais assuntos envolvendo a cultura cervejeira e a produção caseira, tornou-se um meio de troca de mensagens aleatórias entre uma panelinha de amigos. Ou melhor, uma panelinha de bêbados, bela definição que um amigo deu.

Não foi surpresa nenhuma para mim que as críticas que levaram à primeira grande confusão dentro da associação tenham sido relacionadas ao machismo. Não é de hoje, lembra? Essa primeira confusão nunca foi resolvida, pelo contrário, cresceu de uma maneira tão assustadora que culminou com atitudes desagradáveis e ofensivas, encabeçadas pelo nosso presidente, no dia do lançamento da cerveja ELA em Goiânia. Estávamos lá, participando de um projeto lindo e estimulante, mas tivemos que terminar o dia encarando as "piadas" que nossos companheiros de associação faziam sobre o projeto. Dizer que as coisas foram ladeira abaixo a partir daí não descreve justamente o que tem acontecido, mas talvez dê para ter ideia da dimensão do problema se eu contar que já fui agredida verbalmente pelo presidente da ACervA Candanga, senti-me ofendida pelo comportamento de outros diretores e um associado pediu pela minha expulsão repetidamente, porque afinal de contas cobrar uma postura digna da associação e de seus diretores é coisa de quem quer disseminar a discórdia. Como bem disse uma amiga: "Há de se refletir sobre os motivos pelos quais, nos últimos 2 meses, quatro representantes femininas que faziam parte desse mesmo grupo [grupo de WhatsApp da associação] tenham saído (2 por vontade própria, por não suportarem o ambiente hostil, e 2 sendo excluídas pela diretoria)".

Sim, eu fui uma das mulheres expulsas do grupo de WhatsApp. Porque depois de ver mais uma mulher sendo hostilizada e todas as pessoas agirem como se nada tivesse acontecido, eu não consegui ficar calada. Eu cansei no nível vou-falar-o-que-penso-e-foda-se. E ao contrário do associado que ofendeu a colega a ponto dela escolher sair do grupo, eu me arrependo que naquele momento minhas colocações tenham sido movidas à raiva, mas não me arrependo nem um pouco de ter apontado a disfunção daquele ambiente. Para retornar ao grupo (que não possui regras, aliás), o presidente exigiu que eu fizesse um acordo com ele. Eu expliquei que não faço acordos com quem é parte do imbróglio e decidi pedir meu desligamento da associação. Eu acreditava tanto no papel que a ACervA Candanga tem a desempenhar que tentei organizar uma chapa para as próximas eleições. Não só estava disposta a dar minha cara à tapa na próxima gestão como estava animada pela chance de fazer um pouco mais. É frustrante perceber que não há mais espaço para mim por lá, mas é uma decepção gigantesca ver que a associação escolheu retroceder. E pensar que a primeira presidente foi uma mulher...
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