13 Sep 2017

Um mês depois

Isso aí, já faz um mês que voltei para Recife. Dá pra acreditar? A vida vai entrando nos eixos lentamente. Estou no meu apartamento e como sempre é uma delícia arrumar cada cantinho. Achei um estúdio de Pilates perto de casa e depois de três aulas, ontem foi o primeiro dia em 2+ meses em que não tomei remédio para dor. Tô muito incrível. Além disso posso fazer uma caminhada (de leve!) à beira do Rio Capibaribe, bem pertinho de casa. Às vezes vou almoçar na casa dos meus pais, mas como eles ainda estão morando em Olinda, fica meio difícil, por isso virei essa pessoa marmiteira e ando cogitando comprar um microondas para facilitar o processo. E apesar de ainda não estar trabalhando, estou com algumas ideias e projetos que pretendo colocar em prática nos próximos meses. Para completar, estar perto da família tem sido um alento.

Ou seja, está tudo uma maravilha, certo?

Rá! Claro que não. A cabeça, minha gente, é um buraco sem fundo e eu confesso que ando me perdendo nela. Medo constante de ainda não ter certeza de que fiz a escolha certa -- nem me conte que talvez essa certeza nunca venha! Ansiedade batendo forte porque na minha cabeça (aquela) tudo acontece lentamente demais. Choro e ranger de dentes. Fico paralisada, não faço o que está a meu alcance, as coisas de desenrolam ainda mais lentamente. Como sair desse ciclo? Não sei, só sei que eu sigo vivendo.

E cuidando dos gatos.

Pilsen e Fuggle estão bem adaptados à casa definitiva, que aliás tem bastante espaço vertical para eles que eu tratei de ocupar com prateleiras e escadas e coisinhas para subirem. Notei uma melhora incrível nas minhas noites e no bem estar geral dos gatinhos. As lições de Jackson Galaxy (meu novo crush) estão sendo bem aprendidas. Mas também posso dizer que tenho um instinto mãe de gato natural :D Eu questiono basicamente todas as decisões que já tomei na vida, menos essa adoção.


Melhor parte da casa <3
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27 Aug 2017

A espera


Medo. Fonte: Ângulo de Vista

Fazem 15 dias que voltei para Recife. Eu não sei bem o que escrever sobre essas duas semanas, mas hoje é o último episódio da sétima temporada de Game of Thrones, meus pais não têm HBO e eu não dei conta de sair para assistir em algum lugar. Não que eu ache esse último episódio algo de imperdível, mas todos os meus amigos parecem achar e eu tive um dia ruim. Então são 15 dias e pouca coisa aconteceu até aqui. Ainda estou dependendo da minha mudança chegar para organizar o cotidiano (meu e dos gatos), ainda estou procurando emprego, ainda sinto dor porque estou com medo de tomar a injeção que o ortopedista receitou e a consulta com o especialista ficou para o início de outubro. Também não consegui descansar o tanto que eu queria, porque tinha (e tem) um monte de coisa para resolver, tinha (e tem) um monte de gente para encontrar, tinha (e tem) uma vida para viver. E há os dias ruins, como hoje, quando a dor é maior e me impede de fazer muita coisa além de ficar deitada pensando que já vai completar um mês que minha vida tá suspensa. Esperando a volta, esperando o canto, esperando o dia sem dor, esperando tanto. Não um presente dos céus, mas tudo que não depende de mim. E bate, sim, um desespero de esperar demais. Será que foi a escolha certa? Será? Esperando para descobrir também.
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4 Aug 2017

Voltando, Recife


Beira Rio. Foto: Cláudio Maranhão

Em um dia eu estava explicando pela enésima vez porque não pretendia voltar para Recife; no outro eu estava telefonando para minha mãe dizendo que havia uma possibilidade, quem sabe, caso eu não melhorasse, de talvez voltar para Recife. A resposta que ouvi do outro lado da linha foi "não espere mais nada, venha simbora" e desde então eu choro um pouquinho e planejo a minha volta. Estava completando um mês de dor por causa da compressão do nervo por uma hérnia de disco, eu morrendo de medo de precisar de uma nova cirurgia e não tenho vergonha nenhuma de dizer que minha volta é totalmente motivada pelo sentimento de "eu quero a minha mãe". Nada ficou mais fácil, entretanto, desde essa primeira conversa. A ausência de planos (e vontade) de voltar para a terrinha era real; deixar para trás o que conquistei nos últimos meses, impensável. Ainda assim comprei as passagens, minha e dos gatos, e estava resolvido. Quer dizer, mais ou menos.

Contratar uma empresa de mudança, vender carro, providenciar vacina de Fuggle e Pilsen, decidir o que vai e o que fica, encontrar apartamento para morar, arrumar a mala, desligar e limpar geladeira, pensar na adaptação dos gatos, guardar isso, separar aquilo. Minha lista de coisas a fazer parece crescer em progressão geométrica enquanto a velocidade com que risco os itens realizados é constante e lenta. Por causa da vacina dos gatos o intervalo entre decidir voltar para Recife e a data da viagem foi de uns 40 dias. Tempo o suficiente para deixar tudo organizado e ter uma mudança tranquila, qualquer pessoa poderia pensar, mas faltando 10 dias para embarcar o tamanho da tal lista me assusta um pouco. Passar a maior parte do dia de repouso na cama por causa da dor não ajuda em nada para alcançar a sensação de realização, mas ajudou em uma coisa: tô abraçando a mudança.

Tenho tido muito tempo para pensar e decidi não olhar para a vida que estou deixando aqui, mas para as possibilidades que se desdobrarão por lá. Eu disse a uma amiga que estava escolhendo ser feliz em Recife. Muito sabiamente ela respondeu "sê feliz agora", mas acho que a gente entendeu o que eu quis dizer. Graças a meus pais encontrei um lugar ótimo para morar, vou praticar a tia-corujice com muito mais frequência e tem um monte de gente para deixar meus dias bem alegres. Vai dar tudo certo, sabe? Ainda que a ansiedade ganhe em algumas noites, a dor fique insuportável em algumas tardes e eu termine de escrever este post aos prantos, sempre é hora de lembrar que vai dar tudo certo. Não é a saudade que está me levando pelos braços, mas eu deixo ela me embalar um pouquinho.
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16 Jul 2017

Becoming Minimalist


"Você não precisa de mais espaço. Você precisa de menos coisas." Crédito: Becoming Minimalist.


Vocês conhecem o site Becoming Minimalist? Faz um tempo que acompanho a página deles no Facebook, acho que por recomendação de Renata, e lembro que a primeira coisa que me fisgou foi uma frase que dizia mais ou menos "se você precisa sempre de mais organização, talvez você precise de menos coisas", a mesma ideia da frase que abre o post. Ou seja, não tem absolutamente nada a ver com o "estilo" minimalista (também conhecido por mim como sem graça), mas sobre como não ser dominado pelas coisas que possuímos.

Quando me mudei para a kitnet, brinquei muito que estava me tornando uma minimalista. O fato é que fui obrigada a me desfazer de muita coisa para caber no novo espaço de dimensões bem menores do que estava acostumada. Entretanto, só após um ano morando no que chamo de meu cantinho, percebi que ainda conseguia acumular montes de coisas que não usava e perder muito tempo organizando meus 33m2.

Eu me apego demais ao valor sentimental das coisas. Valor que eu dou a elas, claro. Como a jarra de cristal com um conjunto de copos que foi da minha avó e eu jamais poderia usá-la, porque, né, vai que quebra. Então trouxe comigo um outro conjunto de jarra mais copos ganhando no casamento, que esse sim eu poderia usar. No fim das contas nunca usei nem um nem outro e daqui posso ver o conjunto de jarra e copos de cristal que em breve ganhará novo lar.

Não é fácil quebrar certos padrões, mas é um exercício que estou disposta a fazer. Comecei pelo que era mais difícil para mim: livros. Eu sou daquelas que sonhava em ter uma biblioteca enorme em casa. Mas já pensou que triste ser um livro que só será lido uma vez na vida? Então eu tenho essa nova regra: não é livro de referência, eu já li e jamais lerei de novo, passo adiante. Livros foram feitos para serem lidos.

Com a mudança que se aproxima (mais sobre isso em breve) terei uma excelente oportunidade para reavaliar novamente tudo que possuo. O que vai, o que fica, o que é usado, o que merece a chance de brilhar em outra casa.

Cansei de perder tanto tempo com coisas. Prefiro me dedicar a mim e a outras pessoas, que em breve beberão alguma coisa nos copos de cristal que foram da minha avó, mas que agora são meus e minhas coisas a gente usa sem muita preocupação.
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4 Jul 2017

A eterna busca por equilíbrio

Na primeira metade do ano oficializei minha transição de área de atuação de forma bem intensa. Em fevereiro comecei a ajudar uma amiga no bar dela (do qual eu já era frequentadora assídua) assim que saía do trabalho. Também em fevereiro aceitei coordenar um projeto social massa, um curso de bartender para jovens de baixa renda de dois meses de duração. Não estava certo que o projeto iria acontecer; não estava certo que a ajuda que dava a minha amiga no bar iria virar emprego. Não preciso dizer que tudo se concretizou mais ou menos na mesma época e por dois meses eu trabalhei 11 a 12 horas por dia, todo dia, sem intervalo comercial, o que foi uma mudança drástica de rotina, comparando com as duas aulinhas diárias que estava dando antes disso. Obviamente, eu sobrevivi.

Não só sobrevivi como foi um grande aprendizado. Aprendi sobre meus limites, sobre o que é mais importante para mim, sobre o que posso abrir mão (e o que não posso), sobre minhas próprias escolhas. Foi ótimo me envolver com educação depois da decisão de largar a sala de aula. Foi uma delícia trabalhar ao lado de uma amiga. Mas nunca mais quero trabalhar 11 horas por dia. Nunca mais quero trabalhar com quem não valoriza o que faço. Nunca mais quero priorizar um salário maior em detrimento de tempo para mim mesma. É fácil me envolver demais com as coisas e esquecer as pequenas necessidades cotidianas. Eu só percebi o quanto minha rotina estava me desgastando quando recebi uma proposta de emprego que iria me permitir organizar melhor minha vida.

(Hectic é a palavra perfeita para descrever meus dias nos meses de março e abril.)

Dois meses nesse ritmo louco. Há dois meses catando os caquinhos de Clarice que foram ficando pelo caminho. Tentando não compensar os dias corridos com uma série de dias preguiçosos. E acima de tudo feliz. Feliz com o emprego novo, com as escolhas, com a vida. É um exercício diário lembrar que não preciso ser perfeita, que perfeição é uma ilusão, aliás. Eu estou sempre fazendo o que posso. Às vezes não é o ideal, mas é o que dou conta. Amanhã eu posso dar conta de um pouco mais.

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Meus amores são uns gatos.


Foi nesse "dar conta um pouco mais" que finalmente decidi adotar dois gatinhos. Antes eu estava esperando aquela vida perfeitamente nos eixos para ter um bichinho, vivia repetindo que mal dava conta de mim mesma, como poderia dar conta de outro ser? Quanta bobagem. Aí quando me apaixonei pelos dois vira-latinhas tão pequetitos que apareceram na minha timeline do Facebook, vi que estava na hora. Agora faz pouco mais de um mês que Pilsen e Fuggle (heh) fazem parte da minha vida e eu nem quero lembrar como era estar em casa antes deles. Aprendi todo um novo conceito de me apaixonar; virei mãe de gato babona, que tira mil fotos da cria, tem que se controlar para não virar monotema e fica toda orgulhosa porque consegue diferenciar bem os bichanos quase igualzinhos; descobri que gatos são muito sensíveis e amorosos; e tenho dado conta muito bem deles, que estão crescendo a olhos vistos. Eles me ajudam a manter uma boa rotina e eu sou mais feliz com eles do meu lado.

Deixo vocês com algumas das milhares de fotos que já tirei dos gatos e a promessa (para mim mesma) de tentar escrever mais.



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