9 Jan 2016

Mas não foi isso que você disse

Eu sempre achei que tinha uma intuição super desenvolvida, quase como um superpoder, quase uma capacidade de ler mentes e prever o futuro. Tanto que por vezes temia minha intuição e seguia para a direção oposta que ela me indicara. Não é preciso entrar nos pormenores das consequências em fazer isso, até porque este não é meu ponto. Meu ponto é: não existem superpoderes. E só depois de muito tempo, estudando todas aquelas teorias na universidade, entendi que eu apenas possuía alguma habilidade para entender melhor a comunicação do ponto de vista do que não está dito. Sim, há toda uma ciência dedicada a isso e eu dediquei apenas uma matéria do curso a estudá-la e depois fugi com tudo que eu podia, ou seja, estou a milhas de ser uma especialista. Afinal de contas, Análise do Discurso é para poucos. Não foi à toa que um amigo recebeu como recomendação de sua orientadora jamais levar AD para a vida pessoal. Porém, sempre que ouço "não foi isso que eu quis dizer", sempre que me acusam de fazer interpretações que tornam os outros bandidos, eu me pergunto se não deveríamos todos levar AD para a vida pessoal. Repensar meu próprio discurso, repensar porque a piada preconceituosa me faz rir um pouquinho, porque é sempre tão fácil apontar o dedo e dizer "você não entendeu". Falhas de interpretação são resolvidos em um piscar de olhos, já percebi. Quando a questão está encoberta por camadas de negação que o emissor da mensagem sequer percebe, o desenrolar torna-se muito mais complicado. Porque o problema não pode estar sempre e somente no receptor. "Como você pode pensar isso de mim?" Mas foi isso que você disse, foi assim que você reagiu, e se você disse isso, será que não está nem um pouco interessado em saber por quê? Eu estaria.
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1 comments:

Edson said...

Ótima reflexão! ^_^ Bom redescobrir seu blog! =D