5 May 2016

Morando sozinha: o acidente



Quando eu vim morar sozinha eu logo imaginei que nunca mais compraria vestidos que fechassem nas costas, pesquisei todas as técnicas para me livrar de um cisco no olho eu mesma e pedi ao universo para nunca me deixar ver uma barata por aqui. Não estava nem um pouco preparada para sofrer um acidente doméstico e não ter ninguém ao lado para me ajudar. E aí ontem foi justamente isso que aconteceu. Uma das belíssimas, novíssimas e afiadíssimas facas que comprei escapuliu da mão direita e foi acertar o polegar da mão esquerda.

Sangue. Muito sangue. Coloquei o dedo um pouco embaixo da torneira, peguei o pano de prato que estava mais perto, enrolei e comecei a fazer pressão. E fiz pressão por mais de 40 minutos, parando de vez em quando para analisar a situação e deixar algum rastro de sangue pela casa. Sim, o sangue pingava. Eu comecei a ficar um pouco desesperada. Minha irmã mora do outro lado da cidade. Cadê aquela pessoa tão independente que quando tivesse uma emergência apenas chamaria um táxi? Vai ver nunca existiu, mas tudo que eu queria era alguém pra me dizer que precisava mesmo ir ao hospital e fosse comigo lá. Quando a cabeça começou a ficar leve demais, entreguei os pontos e incomodei a amiga que mora relativamente perto. Olha, só amor pela amiga.

Depois de três pontos (o médico jurava que seriam dois e eu penso que merecia um quarto), sobrevivi, mas não sem algumas marcas. Porque – e é absolutamente ridículo o que vou dizer, eu sei – acordei no dia seguinte me sentindo extremamente frágil e bem sozinha. Então chorei porque vou ficar com uma cicatriz horrível no dedo; chorei porque não deu para guardar as roupas que há dias estavam jogadas na cama; chorei porque não consegui lavar os cabelos; chorei, estou chorando. Porque só queria mesmo um colo e um cafuné que disfarçasse um pouquinho a dor.
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7 comments:

cristiana said...

Faz parte. E viva as amigas! 😘

Verônica said...

Vi que estava irremediavelmente por minha conta quando tive de matar minha primeira barata.
Matei a dita cuja, chorei até de manhã. Precisava ir para o trabalho, gastei todo o caminho de metrô disfarçando a cara chorosa com maquiagem. Eu me sentia um caco.
Mas tinha matado uma barata. Sozinha.

Anos mais tarde, mesmo não estando mais sozinha, ainda mato baratas.
Elas não sabem o quanto contribuíram com a formação da minha personalidade.

Natália said...

Eu teria ido mesmo morando do outro lado da cidade :)
Ainda vão ter muitos choros (eu sei bem), mas vão vir muitos sorrisos também, pode apostar!
Beijos!

Clarice M. said...

Eu vi uma barata filhote ontem. Fugiu de mim antes de eu matá-la. Ou eu hesitei. Mas entendo tanto <3

Clarice M. said...

Só posso responder com muitos corações ❤❤❤❤❤❤❤❤

Clarice M. said...

Só posso responder com muitos corações ❤❤❤❤❤❤❤❤

Clarice M. said...

Eu vi uma barata filhote ontem. Fugiu de mim antes de eu matá-la. Ou eu hesitei. Mas entendo tanto <3