8 Sep 2016

Cerveja ELA: Empoderar.Libertar.Agir

Há algum tempo, a cerveja Feminista surgiu como um projeto que visava questionar o papel da mulher na publicidade do meio cervejeiro. Há um ano, escrevi um post que falava de como minhas expectativas de um espaço mais acolhedor às mulheres tinha sido frustrada no mundo da cerveja artesanal. Hoje, o cenário não muda muito. Tanto que ações afirmativas ainda são necessárias para que o machismo no meio cervejeiro deixe de ser a norma.


Embalagem linda da cerveja ELA, com as mensagens nem um pouco lindas que nós mulheres ainda escutamos.

O projeto mais recente foi da cerveja ELA, uma American Barley Wine com 10,5% de teor alcoólico, gostosa e equilibrada, produzida por um grupo de mulheres atuantes no meio cervejeiro e que precisam lidar com machismo diariamente. A escolha do estilo, aliás, tem muito a ver com o mito de que mulheres só gostam de cerveja leve e com pouco álcool. E foi questionando alguns mitos e situações típicas do meio que o projeto ELA foi lançado no Facebook, promovendo #35diassemmachismonacerveja. Os tópicos levantados vão desde a mulher em posição de consumidora ("Não oferece uma cerveja doce só porque ela é mulher. Pergunte o que ela prefere.") até em posição de chefia ("Saiba que quando for perguntar sobre o dono do estabelecimento ou cervejaria, pode estar falando com ELA.") e incentivaram algumas discussões muito produtivas. Em compensação, também geraram muitas mensagens contrárias e a confirmação de que estamos ainda longe de esgotar este assunto.


Quando convidada por uma amiga para ajudar a organizar o lançamento da ELA no Centro-Oeste não pensei duas vezes e no último sábado, 03 de setembro, fizemos um evento lindo no quiosque da cervejaria Colombina lá em Goiânia. Muita gente cheia de curiosidade apareceu por lá, outros apareceram para ajudar. Conseguimos, entre a brassagem de uma barley wine no local, um bate papo sobre harmonização e muita cerveja, conversar sobre o machismo no meio cervejeiro e o tipo de ações afirmativas que podem ser feitas para mudar um pouco isso. Confrarias femininas são uma ótima porta de entrada, mas nossa ambição é mudar a cara (e o comportamento) de associações de cervejeiros e do próprio mercado. Já passou o tempo de nos fixarmos em esteriótipos e ficar esperando que o meio cervejeiro mude naturalmente, porque afinal de contas a sociedade não é mais machista, é de uma inocência (ou desonestidade) sem tamanho.


Brasília e Goiânia fizeram um evento massa!

Foi renovador conhecer outras mulheres com a visão de que precisamos de mais ação. Foi um alívio conhecer homens interessados no que tínhamos a dizer e dispostos a aprender. Foi encantador estreitar laços com amigas com quem venho descobrindo afinidades importantes. Tudo isso trazido pela cerveja! Às vezes a gente cansa de ter que lutar o tempo inteiro, mas é mais cansativo ouvir tanta bobagem por ser uma mulher com um copo de cerveja artesanal na mão (e todo um equipamento para fazer minha própria cerveja em casa).
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