15 Sep 2016

Setembro Amarelo: falar e ouvir

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.
Em setembro de 2015 eu escrevi o que chamei o post mais difícil da minha vida, porque foi a primeira vez em que falei abertamente sobre suicídio como uma pessoa que passou por tentativas. Não foi o texto mais corajoso da minha vida, porque eu soube deixar claro para quem já tinha uma ideia, mas consegui deixar no escuro quem não sabia pelo que eu tinha passado. Desde então eu tenho aprendido a falar um pouco mais sobre minha experiência, mesmo que às vezes o humor que tanto já usei como defesa apareça na sua forma mais sombria.

Em setembro de 2015 eu também fiz um compromisso comigo mesma de escrever, nem que fosse uma vez ao ano, sobre o suicídio. Porque eu acredito muito que falar é a melhor solução. Eu acredito tanto, que não enxergo histórias de sobreviventes como gatilhos. E mais ainda porque sei, e fui vítima, dos inúmeros mitos que cercam o suicídio.

É muito confortável imaginar que as pessoas que correm o risco de tirar a própria vida são cronicamente tristes, isoladas e, principalmente, não falam sobre isso. Confortável porque dificilmente convivemos com esse esteriótipo. Quem nos cerca são pessoas comuns, passando por situações difíceis, que muitas vezes enfrentam uma batalha diariamente apenas para sair da cama. É difícil imaginar uma dor que nos faça querer acabar com a própria vida (sim, porque o objetivo nunca é acabar com a vida em si, apenas com a dor), porque sabemos de cor e salteado histórias muito mais sofridas de gente que continuou seguindo em frente. Mas quem foi mesmo que te condecorou juiz do sofrimento alheio? A ponto até de dizer a uma pessoa sobrevivente de uma tentativa de suicídio que ela na verdade só queria chamar atenção? Para mim, dois sentimentos foram muito presentes na tentativa de suicídio frustrada: 1. a maior de todas as ressacas morais; 2. a maior de todas as frustrações por não ter dado certo. E é por isso que, ao contrário do que se imagina, uma pessoa que já tentou suicídio tem muito mais chances de tentar novamente. E por mais patéticas que tenham sido algumas tentativas, a necessidade premente de acabar com a dor é real.

Não faça pouco caso de nenhuma tentativa ou declaração sobre o suicídio.

Acabar com o stigma em torno de doenças mentais e do próprio suicídio é fundamental. Mas eu acredito que falar é a melhor solução não só para isso. Como uma pessoa que achou que não tinha a quem procurar e aprendeu a duras penas como pedir ajuda, fiquei extremamente comovida com a campanha deste ano. Pessoas disponibilizando o inbox nas redes sociais para quaisquer outras que precisem de desabafo, conversas ou conselhos.



Reconhecendo que não tenho qualquer treinamento terapêutico, compartilhei a imagem já algumas vezes com a mensagem de que estou aqui. Nem sempre estou inteira. Nem sempre estarei pronta. Mas sempre estarei aberta. Porque a gente sabe que muitas vezes só o que precisa é de um par de ouvidos e muita empatia. E isso eu posso dar.
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