4 Jul 2017

A eterna busca por equilíbrio

Na primeira metade do ano oficializei minha transição de área de atuação de forma bem intensa. Em fevereiro comecei a ajudar uma amiga no bar dela (do qual eu já era frequentadora assídua) assim que saía do trabalho. Também em fevereiro aceitei coordenar um projeto social massa, um curso de bartender para jovens de baixa renda de dois meses de duração. Não estava certo que o projeto iria acontecer; não estava certo que a ajuda que dava a minha amiga no bar iria virar emprego. Não preciso dizer que tudo se concretizou mais ou menos na mesma época e por dois meses eu trabalhei 11 a 12 horas por dia, todo dia, sem intervalo comercial, o que foi uma mudança drástica de rotina, comparando com as duas aulinhas diárias que estava dando antes disso. Obviamente, eu sobrevivi.

Não só sobrevivi como foi um grande aprendizado. Aprendi sobre meus limites, sobre o que é mais importante para mim, sobre o que posso abrir mão (e o que não posso), sobre minhas próprias escolhas. Foi ótimo me envolver com educação depois da decisão de largar a sala de aula. Foi uma delícia trabalhar ao lado de uma amiga. Mas nunca mais quero trabalhar 11 horas por dia. Nunca mais quero trabalhar com quem não valoriza o que faço. Nunca mais quero priorizar um salário maior em detrimento de tempo para mim mesma. É fácil me envolver demais com as coisas e esquecer as pequenas necessidades cotidianas. Eu só percebi o quanto minha rotina estava me desgastando quando recebi uma proposta de emprego que iria me permitir organizar melhor minha vida.

(Hectic é a palavra perfeita para descrever meus dias nos meses de março e abril.)

Dois meses nesse ritmo louco. Há dois meses catando os caquinhos de Clarice que foram ficando pelo caminho. Tentando não compensar os dias corridos com uma série de dias preguiçosos. E acima de tudo feliz. Feliz com o emprego novo, com as escolhas, com a vida. É um exercício diário lembrar que não preciso ser perfeita, que perfeição é uma ilusão, aliás. Eu estou sempre fazendo o que posso. Às vezes não é o ideal, mas é o que dou conta. Amanhã eu posso dar conta de um pouco mais.

**


Meus amores são uns gatos.


Foi nesse "dar conta um pouco mais" que finalmente decidi adotar dois gatinhos. Antes eu estava esperando aquela vida perfeitamente nos eixos para ter um bichinho, vivia repetindo que mal dava conta de mim mesma, como poderia dar conta de outro ser? Quanta bobagem. Aí quando me apaixonei pelos dois vira-latinhas tão pequetitos que apareceram na minha timeline do Facebook, vi que estava na hora. Agora faz pouco mais de um mês que Pilsen e Fuggle (heh) fazem parte da minha vida e eu nem quero lembrar como era estar em casa antes deles. Aprendi todo um novo conceito de me apaixonar; virei mãe de gato babona, que tira mil fotos da cria, tem que se controlar para não virar monotema e fica toda orgulhosa porque consegue diferenciar bem os bichanos quase igualzinhos; descobri que gatos são muito sensíveis e amorosos; e tenho dado conta muito bem deles, que estão crescendo a olhos vistos. Eles me ajudam a manter uma boa rotina e eu sou mais feliz com eles do meu lado.

Deixo vocês com algumas das milhares de fotos que já tirei dos gatos e a promessa (para mim mesma) de tentar escrever mais.



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2 comments:

Anonymous said...

Gatinhos são vida. <3

E o mantra é esse mesmo: a gente dá o que tem.
Sem pressão, sem neura. Com liberdade.

:****

Naty

(Ainda adoro blogs diarinhos)

Clarice Concê said...

Eu também adoro! <3
E adoro quando tu comenta aqui.
=****