18 Dec 2017

Quando a gente começa reclamando e termina quase agradecendo

Eu tinha mesmo decidido ser feliz em Recife, mas a verdade é que as pequenas lutas cotidianas têm matado meu espírito um pouquinho. Tento me lembrar que levei 2 anos para me adaptar realmente a Brasília e que os primeiros meses foram bem sofridos. Talvez eu esteja sendo um pouco injusta com minha própria cidade. Talvez eu não esperasse que uma readaptação fosse mesmo necessária, que as coisas iriam entrar nos eixos simplesmente porque é minha própria cidade. Então eu lembro que nunca me senti pertencente aqui antes e tudo começa a fazer mais sentido. Ou ficar ainda mais confuso, depende do ponto de vista. E nessa confusão foi bem difícil começar o dia de hoje. Tento estar atenta aos sinais, mas quero mesmo é achar que se trata de apenas mais um dia ruim, como todos temos. Uma nova promessa diária: amanhã vai ser diferente. Nem quero pensar que vai ser melhor, só quero que seja diferente mesmo. Os padrões autodestrutivos são uma armadilha fácil, assim como focar no que está errado.

Ainda bem a renovação do ânimo vem de onde eu menos espero.


No trabalho novo, para lembrar que vale a pena. Foto: João Castelo Branco

Comecei a escrever e quando me dei conta estava na hora da reunião semanal do meu grupo de estudos com amigos sommeliers. Há semanas eu vinha faltando aos encontros. Qualquer motivo era bom o bastante para justificar a ausência, inclusive estar deitada em um cômodo diferente do computador. Mas hoje estava escrevendo aqui mesmo, nesse meio eletrônico que permite o encontro de seis diferentes cantos do país, e aí perdi até a mais esdrúxula das desculpas. O que era para ser uma reunião de estudos de cumprir tabela virou um lembrete do tanto de coisa que tenho para aprender e o quanto é bom compartilhar conhecimento com gente tão envolvida quanto eu, e isso por si só já é motivo o bastante para querer fazer um amanhã diferente. Sem as regras de fazer tudo "certinho" que eu acho tão fundamentais e que nunca dão certo. Sem achar que o que eu dou conta é sempre pouco. Eu exijo demais de mim mesma (understatement of the year) e o combo mudar de carreira em meados dos 30 anos + mudar de cidade meio de supetão só aumentou a carga da cobrança. É preciso paciência para todo começo e recomeço. É preciso lembrar das razões por trás de cada escolha. É preciso abrir mão para abraçar o novo.
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